domingo, 3 de junho de 2018

O pequeno manual de como engordar

Imagem da Internet

Coma sem ter fome. E coma muito, de cada vez. Até sentir a pele da barriga esticada. Coma em qualquer lugar, de qualquer jeito, qualquer coisa. Não se preocupe se aquilo engorda ou não; se contém muito açúcar, muita gordura e muito sal: prefira, aliás, sempre, as comidas mais monocromáticas, gigantes e lustrosas. Encha de comida todos os seus vazios existenciais, todas suas faltas e todas suas horas vagas. Faça da comida consolo, diversão e recompensa. Sinta raiva das pessoas que comem coisas saudáveis e que se preocupam com seu peso e sua saúde. Escolha sempre as maiores porções, os combos, as porções família e o melhor custo benefício. Aproveite suas viagens e as festas comendo! Aja como se cada refeição fosse a última de sua vida. Entenda que tudo está perdido, então, de nada adianta melhorar um pouquinho aqui e um pouquinho ali sua alimentação. Para quê sofrer comendo maçãs e alface se o mundo lhe oferece coxinhas e bridadeiros? Problemas de saúde decorrentes do excesso de peso? Quando - e se - eles surgirem, você pensa no que fazer. Até lá, você vai curtir a vida comendo. Porque, se pensar bem, toda a graça da vida está no prazer indescritível de comer. Os movimentos vão ficando limitados e as roupas apertadas, mas então você aproveita e sai para comprar roupas maiores. De preferência leggings, que esticam de acordo com sua voracidade. Na volta das compras na loja plus size, você pega a quinta pizza da semana daquele delivery que ama você, junto com uma Coca três litros que é pra sobrar para o café da manhã. E, se alguém mencionar o quanto você engordou nos últimos tempos, não tenha vergonha de pôr a culpa na tireoide desregulada, na depressão, na falta de tempo e na falta de dinheiro. Sorria e afirme que você é um gordo feliz.

[Texto original de setembro de 2016]

sábado, 2 de junho de 2018

Como engordei 22 kg - postagem original de 2016

Eu, no ápice da obesidade, em dezembro de 2015

"Esta é uma longa história e nem sei por onde começar. Mas vamos lá. Estive dentro do peso considerado normal (IMC entre 18,6 e 24,9) até o ano de 2012, quando eu estava com 33 anos. Sempre me alimentei de forma muito saudável, já fui vegetariana e não como carnes vermelhas desde os 12 anos de idade. Mais ou menos com esta mesma idade, comecei a frequentar academias, fazer esportes e correr. Se engordava um pouquinho, era só caprichar na alimentação e os excessos iam embora em uma, duas semanas. Até que, a partir do final de 2012, tudo começou a mudar. Quem engorda, muda mais do que hábitos: muda primeiro a mente. E eu mudei. Eu poderia dizer que meu metabolismo ficou mais lento; poderia usar outros nomes como depressão e estresse. Mas sou bem realista ao dizer que fui eu que me engordei. Porque fiz isso não importa; lembro dos dígitos na balança subindo e eu achando graça. Minha mão deslizando nas minhas costas e sentindo dobras que nunca existiram. Eu pedindo para minha mãe me apelidar de "Gorda" e ela ficando apavorada com o rumo de minha vida. Foram meses felizes experimentando tudo o que antes não fazia parte da minha rotina, não por privação mas por opção mesmo: frituras, refrigerantes, refeições gigantes, abandono dos exercícios físicos. Nesta mesma época comecei a me desfazer de muitas coisas que já não me serviam, incluindo as roupas - manequim 36, 38 - e comprando roupas maiores, feias e confortáveis. Um dia, estendendo no varal as roupas recém lavadas,  percebi que meu sutiã era feio e gigante, parecia o de uma senhora gorda. Passei, em dois curtos e longos anos, dos 58 para os 80 quilos! Foi bem fácil. Quase nem percebi. Chamei aquilo de mudança. De romper com o passado. Mas, na verdade, eu já não estava mais apenas gordinha: eu era agora, segundo as tabelas, uma obesa. E, o pior, minha mente também havia engordado. Meus excessos agora faziam parte de mim e a brincadeira perdeu a graça: eu não era mais a Renata de sempre. E eu já não tinha mais o controle. Eu estava doente. E só percebi o quanto isso era grave ao ver minhas fotos de dezembro do ano passado. Elas, chocantes e verdadeiras, foram o começo da revolução."

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Santo de casa faz milagre sim!

Arquivo pessoal

Quando conheci o Lucas, em 2012, ele já era gordinho. Pesava em torno de 100 kg, pros seus 1,79 m. Eu era uma gracinha, com tudo no lugar, com meus 58 kg para 1,62 m. Casamos, dividimos as graças e desgraças e engordamos muito em questão de dois anos. Ele, 14 kg (foi para os 114 kg) e eu, 22 kg a mais, indo para os 80 kg. Tentamos e tentamos e tentamos voltar ao normal através da reeducação alimentar. Conseguimos, em parte. Mas foi sofrido que dói. Lucas emagreceu 14 kg, ou seja, voltou ao peso obeso que tinha quando me conheceu e eu, emagreci apenas 8 kg em meses de fome e ansiedade. Num belo dia, em junho de 2017, decidi dar um basta nessa lenga-lenga e me aventurei na vida Low Carb, graças a uma nutricionista fodida meio desatualizada que encontrei por aí. Tudo lindo, tudo novo, tudo assustadoramente perfeito: em cerca de 5 meses, eu já havia emagrecido 10 quilos. Foi quando fiz o convite ao meu querido marido: vem para a Low Carb comigo? No começo, ele resistiu. Disse que não ia ter energia suficiente para trabalhar, que ia desmaiar. Mas com meu jeitinho persuasivo - mulher bageense faca na bota - e tendo ele engordado 4 quilos em uma semana devido as férias, ele finalmente decidiu me acompanhar. Fui ao ápice! Doei o resto de carboidratos do mal que tinha em casa e decretei quase um estado de sítio neste lar. Doutrinei o moço, dei todas as informações científicas pertinentes e deixei bem claro que não, ele não passaria fome. O resultado? Vida nova pros dois. Um casal Low Carb, se divertindo horrores, comendo horrores e emagrecendo horrores. Ele emagreceu, em cerca de 6 meses, 14 kg. Um espetáculo. Não pretendemos abandonar este estilo alimentar nunca mais.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Relato dos primeiros 2 meses de Low Carb

Agosto de 2017: já adaptada à Low Carb e ao Jejum Intermitente

Agosto de 2017 - 40 dias após o começo da Low Carb

"Comecei neste estilo Low Carb no dia 03/07/2017, depois de cerca de 8 meses sem emagrecer. Neste período, o único doce que consumi foram três merenguinhos. Carbos excedentes da cota, 1 fatia de pão integral lá no começo, 1 banana, 1/2 pizza de verdade (que aliás fodeu uma semana do meu processo de emagrecimento) e cervejas aleatórias e merecidas. Na segunda-feira passada, tive o menor peso dos últimos anos: 68,3 kg. Quatro quilos a menos. Claro que não pretendo me alimentar assim para o resto da vida*. Mas tem lições que levarei para sempre:

- consumimos muito mais carboidratos do que o necessário. E carbos dão fome. E geram acúmulos de gordura, principalmente se a pessoa não é ativa fisicamente. No futuro, pretendo limitar a ingestão de grãos a uma porção por dia. Sinto falta de feijão, lentilha, ervilha, mandioca e milho;

- açúcar é daninho e gera compulsão. Nos últimos anos, não fui fascinada por doces. E, agora, muito menos. O açúcar deve vir das frutas. Elas são deliciosas. Agora no começo, sinto falta delas. Mas pretendo no futuro usá-las com mais sabedoria;

- o jejum intermitente é um estilo de vida. Falo principalmente do 14/10, o mais fácil de seguir. O café da manhã (do jeito que eu fazia) me parece desnecessário e gerador de fome. Me sinto melhor hoje começando a me alimentar no almoço do que quando tomava café e ainda comia a fruta no meio da manhã;

- sinto falta do iogurte**, mas nem tanto do leite. Talvez eu tenha que rever minhas fontes de cálcio. Queijos são incríveis e hoje provei leite de soja***, com pouco teor de carboidratos."

Setembro de 2017 - 60 dias após o começo da Low Carb

"Pois bem. Hoje completo dois meses na "Dieta Low Carb". Escorregadas à parte (e o bom é que conto elas nos dedos), tem dado tudo muito certo. Talvez um pouco de queijo demais, um leitinho de soja ali, uns corantes e adoçantes artificiais aqui... Mas ninguém é 100%. Foram 5 quilos a menos nestes 60 dias. Foram embora 6,2% de gordura e ganhei 2,7% de massa muscular. Sem exercícios! Me sinto mais disposta, minhas dores nas costas praticamente desapareceram e a fome - e a compulsão - andam sob controle. Tive umas semanas de platô no peso, e eu entendo os porquês. Eu sei o que eu deveria melhorar: diminuir o consumo de queijo e amendoim, cortar os embutidos, variar mais os legumes, comer diariamente uma fruta permitida (abacate, coco, morango, pitanga, acerola, maracujá, kiwi), tomar mais água pura e fazer algum tipo de exercício, nem que seja em casa. Mas, apesar dos pesares, nesses 60 dias, o resultado foi incrível, sem recaídas. Resumindo, tenho cortado o café da manhã e ficado apenas com líquidos (água, chá, café e chimarrão) até por volta das 13:00, completando assim jejuns diários que variam de 14 a 16 horas. Almoço proteína + saladas cruas geralmente, quando chego em casa como ovos + requeijão ou ainda abacate e janto proteínas + legumes cozidos. No começo eu coloquei aspas no nome da dieta porque realmente não é uma dieta temporária e sim um novo estilo de vida. Coisas daqui levarei para sempre, mesmo depois de ter chegado ao meu peso ideal. Meu plano, depois de atingir meus 60 ou 59 kg, é introduzir pequenas porções diárias (ou nem sempre diárias) de raízes e tubérculos (mandioca, batata, cenoura, beterraba...), frutas (ok, fico longe da banana, manga, abacaxi e melancia) e iogurte natural/queijo branco."

Notas atuais:

* como amadora, eu achava que esse estilo alimentar não seria sustentável durante muito tempo. Mas descobri que é sim um estilo de vida permanente e inclusive, meu marido também virou adepto da Low Carb e com ela já emagreceu, nestes seis meses, 18 quilos. Um dia conto a história dele. Somos um lindo Casal Low Carb.

** hoje em dia, 22 kg mais magra, me dou ao luxo de consumir uns dois ou três potinhos de iogurte integral por semana. Escolho o mais natureba possível, sem lixos químicos. Meu sonho é conseguir cultivar Kefir. Mas até hoje, matei todos eles.

*** por mais que seja gostosinho, eliminei o leite de soja. Nossa soja é envenenada. Atualmente, consumo leite integral aleatoriamente, com café, a cada 15 dias.

terça-feira, 22 de maio de 2018

O dia em que decidi abandonar a reeducação alimentar

Final de 2015, 80 kg: a foto que marcou o início da mudança

Entre 2012 e 2015, engordei 22 kg. Fui dos 58 para os 80 kg, assim, num passe de mágica. Estou debochando, claro que não foi mágica, um dia conto melhor. Mas enfim. Caí na real que realmente estava obesa ao ver as fotos que tirei na casa dos meus pais em dezembro de 2015. Eu, que na época tinha 36 quase 37 anos, parecia uma sessentona. Fotos épicas, que marcaram o começo de uma nova vida. Naquele dezembro, iniciei para valer a dita reeducação alimentar. O principal, daquela vez, eu tinha: vontade de emagrecer. Mas não foi fácil. Meses de privação, de ataques de ansiedade, de fome de verdade, de frustração, de resultados lentos e sofridos. Idas e vindas da academia. Oscilações de peso e de humor. Fazendo um balanço, emagreci, em longos 19 meses, cerca de 8 kg. Ainda faltavam 14 e eu já não sabia mais o que fazer. Foi então, no dia 12/06/17, que decidi ir a uma nutricionista. Depois de tantos meses sem emagrecer, achei que ela pudesse me ajudar. Meu marido disse que seria perda de tempo e dinheiro, que eu sabia o que tinha que fazer. Mas discordei dele - santo de casa não faz milagre, né?! - e lá fui eu, faceira e esperançosa. Expliquei para a moça que estava nesse platô desanimador e, do fundo do meu coração, esperei que ela desse uma revolucionada em minha dieta. Mas, ao que parecia, seu "novo" cardápio era muito semelhante ao que eu já seguia há tempos. Tentei argumentar com ela que isso já não vinha funcionando mas ela não me deu ouvidos. Me bombardeou com muitos carboidratos, frutinhas e refeições a cada 3 horas. Três semanas depois, e tendo que retornar para a reconsulta, estava eu com apenas 1 kg a menos, voltando com pesar para os conhecidíssimos - e frustrantes - 71,8 kg. É. Eu sabia que aquilo não iria funcionar. Naquele dia em que desmarquei a consulta, decidi navegar por informações da low carb. A mesma para a qual torci a cara diversas vezes. Depois de muito ler, estabeleci meus próprios métodos, que incluíam ranquear os alimentos saudáveis por seu teor de carboidratos e fixar uma cota diária de apenas 40 gramas de carboidratos líquidos. E, depois de três semanas neste novo estilo de alimentação, pasmem: finalmente a balança se mexeu e eu cheguei aos queridos 68,8 kg, peso que não tinha desde meados de 2013. Foram três quilos a menos em três semanas no novo estilo alimentar. Comecei, timidamente, a associar jejum intermitente a minha rotina alimentar. Eu estava espantada com os resultados e com minha disposição e estado de espírito. Eu não fazia mais restrição calórica, não sentia fome e nem aquela vontade desenfreada de comer bobagens. Era libertador - e um pouco assustador - não me preocupar mais com horários e quantidades. Eu, finalmente, comia o que queria (dentro de uma lista de alimentos permitidos, claro), na quantidade que me satisfizesse e no horário que tinha fome. Simples assim.